terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Menina

A menina se observa
de frente ao espelho.
Seu sorriso se conserva
com seu rosto vermelho.

Do outro lado se vê
a mesma menina.
Seus olhos, ela lê
o que ninguém imagina.

Aqui, percebe
que ela, não é ela.
Seu desgosto, ela bebe,
com um gosto que descongela.

A menina se prendeu
dentro do espelho.
Seu reflexo de arrependeu
de ter dado esse conselho.


Autor: Lucas Braga

Você e eu

Se eu fizer besteira,
me castigue.
Se eu não fizer da sua maneira,
não brigue.

Se você errar,
te perdoarei.
Se você não me amar,
te amarei.


Autor: Lucas Braga

O dia seguinte

De roupa amarrotada,
deitado no chão.
Foi mais uma noitada.
Noite sem comparação.

Acorda meio tonto,
transbordando ressaca.
Bebe uísque em vez do café pronto
e belisca o queijo com a faca.

Bafo de cachaça
e barba mal feita.
Se acha sem graça
enquanto se ajeita.

Se sente um imundo
e fica arrependido.
Fecha os olhos e respira fundo.
A vida não faz mais sentido.


Autor: Lucas Braga

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A poesia do bêbado

O poeta escreveu.
Tinha bebido.
A poesia quase morreu
sem ele ter percebido.

De sóbrio, não tinha nada.
A poesia também não.
Acordado até de madrugada,
escrevendo na escuridão.

A mistura de álcool com rima
formou a poesia.
De sono, ele deitou em cima
e sonhou com a fantasia.

A vela se apagou.
O sol começou a surgir.
O poeta acordou
e a poesia, deixava de existir.


Autor: Lucas Braga

Homem mulher

Abriu a porta,
colocou as sacolas na mesa.
Seu marido fazia uma torta
e sua filha a olhava surpresa.

Tirou o terno,
fechou a janela.
Já era inverno
na cidade dela.

Se molhou, se arrumou
e sentou para jantar.
E, a família, esperou
para começarem a ceiar.

Lá fora, caia neve.
Não se ouvia nada.
O som estava em greve.
E ficou até a madrugada.


Autor: Lucas Braga

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Corpo na madrugada

Com as pontas de seus dedos
ela sentia um súbito prazer.
Não saciava seus medos
mas conseguia viver.

Com beijos na costela
ela sentia sua nuca arrepiar.
Ouvia o nome dela
correr pelo ar.

Com sussurros no ouvido
gemia bem baixinho.
Seu corpo, já dolorido
se sentia sozinho.

Quando, os olhos, abriu
não enxergou nada.
Com as mãos, os cobriu
e se sentiu usada.


Autor: Lucas Braga

Defeito amoroso


Um defeito,
uma dedicação.
Um desrespeito
para o coração.

Um abuso,
uma paixão.
Um desuso
da situação.

O terror
da concentração.
O amor
em difusão.

A vida
de indecisão.
Sofrida,
sem coração.


Autor: Lucas Braga