sexta-feira, 8 de abril de 2011

Atualidade

Me recolho ainda cansado
com o corpo amansado.
Escureço em seus braços
para não reconhecer seus traços.

Me corte a pele e meu nome,
me mate de fome.
Mas não me reconheça
antes que eu te esqueça.

Seu abraço aquece
meu corpo que apodrece,
meus ossos ainda gelados
gritam, por socorro, calados.

Seu beijo de despedida
acida minha vida
que um dia foi válida,
mas hoje, não passa de pálida.


Autor: Lucas Braga

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ela

A voz que ninguém escuta,
a pétala que machuca,
o início que não começa,
a atriz da minha peça.

A dor que não arde,
a lua que brilha tarde,
o vento que assopra quente,
o veneno de uma serpente.

O som que não existe,
o beijo mais triste,
a escuridão que ilumina,
a droga que me alucina.

Tantas coisas para descrever
a pessoa que me faz viver.
Ela é assim,
perfeita para mim.


Autor: Lucas Braga

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Fingerprints

I can see your fingerprints
through my veins.
It hurts a lot
and I can only feel the pain.

You erase every word
you wrote on me.
Erase with a knife
and make me bleed.

My body is a game
and you're the player.
I play with chains,
I play like a slayer.

Your love is weird
like your fake smile.
Your fingerprints
won't leave me for a while.


Autor: Lucas Braga

My scars

Your poisoned fingers
are touching my skin.
If it lingers,
I'll see you like a sin.

My blood is on fire,
it's burning me inside.
I'm deep in mire
with these veins, so dried.

I got a lot of scars
in my back and chest.
Your nails went too far
and, now, I can't rest.

Your words are
black, white and gray.
To cure these scars
I won't hear what you say.


Autor: Lucas Braga

Memórias

Você diz que me amou
como eu jamais te amei.
Não disse quem sou,
mas disse o que sei.

Sua presença reprime
o ar que respiro.
Momento meio sublime
para um último suspiro.

São memórias mortas
costuradas em meu coração
com linhas tortas
que me machucam em vão.

O tempo desperdiçado,
com essa falsa ilusão
de te ter ao meu lado,
não me deixou decepção.


Autor: Lucas Braga

domingo, 3 de abril de 2011

Ressaca de prazer

É difícil acordar,
e perceber que não existe mais.
Ainda me falta o ar
de algumas horas atrás.

No meu corpo, ainda percorre:
um prazer insaciável,
uma vontade que não morre
com essa chama inflamável.

Nossos corpos como um só,
seu calor me aquecendo.
Minhas veias virando pó,
meu sangue não está mais correndo.

Beber seu prazer,
me causa bastante ressaca.
Irei de devolver
com uma dose mais fraca.


Autor: Lucas Braga

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Momento de crise

Essa dor superficial,
que atravessa minhas juntas,
transforma o bem em mal
para todas minhas perguntas.

É sensível e apavorante
enquanto escorre pela pele.
Escuto um gemido agonizante
que faz com que me coração congele.

As batidas param,
o sangue, adormecendo;
as feridas não saram.
Acho que estou morrendo.

E lá do fundo,
de dentro do meu peito,
há um buraco profundo
que me deixa satisfeito.


Autor: Lucas Braga